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RAG na prática: como conectar um LLM à sua base de conhecimento sem perder qualidade

Guia prático de RAG: arquitetura, preparação de documentos, chunking, embeddings, busca, reranking, citações e métricas para colocar um chatbot com IA em produção.
24 de fevereiro de 2026

RAG bem feito troca “resposta inventada” por “resposta com fonte”.
E isso muda o jogo quando você precisa de confiabilidade.

Modelos de linguagem (LLMs) são ótimos para explicar, resumir e organizar informação — mas têm um limite duro: eles não “sabem” o que mudou ontem no seu negócio, nem têm acesso automático às suas políticas internas, documentação técnica, manuais ou base de ajuda.

É aí que entra o RAG (Retrieval‑Augmented Generation): em vez de pedir para o modelo “lembrar”, você faz o sistema buscar trechos relevantes em uma base confiável e só então gerar a resposta com esse contexto.

Capa do artigo sobre RAG

O que você vai encontrar aqui

  • O que é RAG (em linguagem direta) e quando usar
  • A arquitetura típica (do usuário ao “trecho citado”)
  • Como preparar documentos para o RAG funcionar de verdade
  • Decisões que mais impactam qualidade: chunking, embeddings, busca e reranking
  • Métricas que ajudam a evoluir sem “achismo”
  • Erros comuns e um checklist final para copiar e colar

O que é RAG (e por que tanta gente adota)

RAG é uma abordagem onde a aplicação recupera informação de uma base externa (documentos, páginas, FAQs, manuais, políticas) e usa esses trechos como contexto para o LLM gerar a resposta.

Na prática, você ganha:

  • Respostas mais atualizadas (porque a base pode mudar sem “re-treinar” modelo)
  • Menos alucinação (porque o modelo é incentivado a usar evidência)
  • Auditabilidade (quando você cita fontes/trechos)
  • Controle (você decide quais documentos entram e com que regras)

Se quiser aprofundar a definição oficial, a AWS descreve RAG como otimizar a saída de um LLM fazendo referência a uma base de conhecimento confiável fora do treinamento.

Quando RAG é a melhor escolha (e quando não é)

RAG costuma ser o caminho certo quando:

  • seu conhecimento muda com frequência (produto, preço, regras, políticas, suporte)
  • você precisa usar conteúdo privado (documentos internos, manuais, padrões)
  • você quer uma resposta com citação e rastreabilidade
  • você quer reduzir risco de “respostas convincentes, porém erradas”

RAG não é a melhor primeira opção quando:

  • o problema é “tom de voz” ou estilo (aí fine-tuning pode fazer sentido)
  • você precisa de um modelo para uma tarefa específica e repetitiva (classificar, extrair campos, etc.)
  • o conteúdo é pequeno e estável (às vezes um bom prompt + fontes estáticas resolve)

Dica prática: muita gente começa com RAG e só considera fine-tuning depois, quando já entendeu padrões de uso e qualidade.

Arquitetura em 1 minuto

Abaixo está o fluxo mais comum em sistemas de RAG (com variações):

Diagrama de alto nível de um pipeline de RAG

O ponto-chave: o LLM não deve inventar a base. Ele deve usar o que foi recuperado e, quando não houver evidência, assumir “não sei”.

Se você também precisa proteger dados sensíveis no RAG, este artigo complementa bem: Dados sensíveis em RAG.


Passo a passo para um RAG que não vira “Frankenstein”

1) Defina o objetivo e o “não objetivo”

Antes de qualquer embedding, responda:

  • Qual pergunta o usuário quer resolver?
  • O que pode ser respondido com segurança?
  • O que não pode ser respondido (limites de responsabilidade, dados sensíveis, etc.)?

Uma regra simples que ajuda muito: defina uma política de resposta do tipo:

  • “Se não houver evidência suficiente nos trechos recuperados, responda que não encontrou informação e sugira o próximo passo.”

Isso reduz alucinação e reduz retrabalho.

2) Escolha as fontes (e crie governança mínima)

RAG falha muito mais por “conteúdo ruim” do que por “modelo ruim”.

Checklist de governança mínima:

  • quais fontes entram (ex.: docs, base de ajuda, wiki, PDFs)
  • quem é responsável por atualizar
  • com que frequência você reindexa
  • como você versiona (para investigar regressão)

Se a base tem conteúdo sensível, o ideal é aplicar controles antes de indexar (ver o artigo de dados sensíveis linkado acima).

3) Faça ingestão e limpeza (o básico que ninguém quer fazer)

PDF e HTML costumam vir com ruído: cabeçalho repetido, rodapé, menus, sumário… e isso vai parar no embedding.

Faça pelo menos:

  • remover boilerplate (menus, “copyright”, duplicações)
  • normalizar títulos e seções
  • extrair texto de tabelas com cuidado
  • preservar metadados úteis (categoria, produto, data, permissão)

4) Chunking: o tamanho do trecho muda tudo

Chunking é como você “quebra” o documento em pedaços para indexar.

Regras práticas:

  • chunk pequeno demais → perde contexto, aumenta falsas recuperações
  • chunk grande demais → aumenta custo e mistura assuntos

Uma estratégia comum: chunk por seção (H2/H3) com limite de tamanho e um pouco de overlap (para não “cortar” um conceito no meio).

5) Embeddings + metadados: não é só vetor

Embeddings colocam texto em um espaço numérico para busca por similaridade.
Mas a qualidade do RAG também depende de metadados e filtros:

  • idioma
  • categoria / produto
  • nível de acesso (ACL)
  • data / versão
  • tipo do documento (política, tutorial, FAQ)

Em muitos casos, combinar “similaridade vetorial + filtro por metadado” melhora muito.

6) Recuperação e reranking: onde a qualidade nasce

A sequência típica:

  1. pegar top‑k por similaridade
  2. aplicar filtros
  3. rerank (reordenar) com um modelo mais caro/preciso
  4. montar contexto final com 3–8 trechos bem selecionados

Sinal clássico de “retrieval fraco”: o modelo responde errado mesmo com bom prompt, porque os trechos trazidos não tinham a resposta.

7) Resposta com fontes (e com “não sei”)

Um padrão simples e forte:

  • o LLM só pode afirmar algo se houver evidência nos trechos
  • a resposta deve incluir “Fonte: …” ou citar título/URL/ID do documento
  • quando não houver evidência, ele deve admitir e orientar o próximo passo

Isso aumenta confiança e reduz suporte.

8) Avaliação: sem isso, você não sabe se melhorou

Se você quer evoluir RAG com segurança, trate como produto:

  • crie um conjunto de perguntas reais (20–200 casos já ajudam)
  • defina critérios (correto, completo, citou a fonte, não vazou dado)
  • rode avaliações a cada mudança (modelo, prompt, dados, chunking)

Um bom complemento é ter testes de regressão para prompts e RAG: Testes de regressão para prompts e RAG.


Erros comuns (que parecem “misteriosos”, mas não são)

  1. Indexar documento duplicado ou desatualizado
    Resultado: o RAG “briga” entre versões.
  2. Misturar conteúdo público e interno sem controle
    Resultado: vazamento ou respostas inconsistentes.
  3. Confiar em top‑k sem reranking
    Resultado: trechos “parecidos”, mas errados.
  4. Enviar contexto gigante “para garantir”
    Resultado: custo alto e resposta confusa.
  5. Não ter telemetria
    Resultado: você não sabe se o problema é retrieval, prompt, modelo ou dados.

Checklist final (copie e cole)

  • Objetivo do RAG definido + limites (“não objetivo”) documentados
  • Fontes escolhidas + responsável por atualização
  • Pipeline de ingestão com limpeza e metadados úteis
  • Chunking definido (com regra de tamanho e overlap)
  • Recuperação com filtros e reranking (quando necessário)
  • Resposta com citações/IDs de fonte e política de “não sei”
  • Conjunto de casos de teste (perguntas reais)
  • Monitoramento: latência, custo, taxa de “não achei”, qualidade percebida
  • Plano de evolução: versionar dados/prompt/modelo para investigar regressões

Referências para aprofundar

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