Startups brasileiras: estamos “inovando” ou “copiando”?

Empreender na América Latina não é para amadores, principalmente em termos de Brasil. É tanta burocracia e falta de incentivo que muitos empreendedores acabam desistindo de lançar sua startup antes mesmo de ela existir.

Outros, porém, são inspirados por casos de sucesso gringos e batem o pé para estabelecer seus negócios e seus sonhos, fazendo o mercado de startups latino-americano crescer ainda mais. O problema mora em uma eterna desconfiança, principalmente de veículos internacionais especializados no assunto, de que, por aqui, não há inovação: grande parte das boas empresas é uma cópia do que já deu certo.

Essa é a reflexão que o TechCrunch, um dos maiores blogs de startups do mundo, trouxe recentemente: nesse artigo eles perguntam se os negócios daqui são disruptivos mesmo ou se só colhem os louros de empresas norte-americanas que foram além.

Em um processo que eles chamam de “tropicalização”, eles abordam modelos de negócios que deram certo nos Estados Unidos e que, aparentemente, foram apenas replicados por empreendedores da América do Sul.

Alguns dos exemplos que aparecem ainda no início do texto são o Mercado Livre, que seria uma cópia do eBay, a OLX, que tem uma entrega bastante similar à da famosa Craigslist, e a Desapegar, que pode ser comparada com a pioneira Expedia.

Alguns dos atributos para que eles considerem as startups latino-americanas mais replicadoras do que inovadoras é a similaridade da natureza dos negócios, a monetização e a certeza de que, com business model de sucesso já comprovado, as startups em questão podem atrair mais investimento.

Será que isso é verdade?

Inovação x Cópia

Em alguns momentos do texto, a equipe do TechCrunch afirma que não há nenhum impedimento para que uma startup “cópia” seja considerada inovadora – afinal, mesmo que a inspiração já exista em outra empresa, todas as que tiveram sucesso o conseguiram por adaptar mercados, demandas e formas de comunicação.

Contudo, o título de “disruptivo” não caberia aos nomes citados no início do artigo, uma vez que eles não inventaram o mercado, e sim pegaram uma carona no sucesso dele lá fora.

Nem todas as startups brasileiras ou de outros países da América do Sul estão na mira dessa “investigação por cópias”, mas vale lembrar que muitas delas realmente perdem o tato e o timing devido a características bem pungentes da nossa cultura de empreendedorismo.

Falando especificamente de Brasil, um país onde o sonho de empreender está cada vez mais próximo e latente, muita gente fica ansioso por lançar logo seus produtos e serviços com a certeza absoluta de sucesso e, com isso, se esquece de pontos básicos para alcançar bons resultados – coisa que não ocorre com tanta frequência lá fora.

Enquanto as startups gringas levam algum tempo desenvolvendo MVPs (produtos mínimos viáveis) para testar sua ideia e apostam (no sentido de investem, mesmo) em empresas especializadas para fabricar os softwares que usarão, muitos empreendedores brasileiros não percorrem o mesmo caminho. Além de não testar a ideia inicial, ou gastam muito tempo desenvolvendo o software por conta própria ou não conseguem chegar a um projeto satisfatório ao final do dia.

Esses erros são tão comuns que podem levar as startups a replicar, mesmo que sem maldade, os modelos de negócios que veem lá fora. Afinal, criar um Uber não deve ser tão trabalhoso, certo? Aí, além de se tornarem versões menos famosas do que suas musas inspiradoras, acabam não acertando a mão no que seu público ideal quer ou precisa.

Nem precisa dizer que essa é a receita do fracasso, né?

Afinal, existe inovação na América Latina?

É claro que existe! E muitas empresas daqui estão dando exemplo para o pessoal lá de fora, fazendo com que os outros países queiram, desejem e copiem alguns modelos de negócios que foram desenvolvidos aqui. Um exemplo clássico é o EasyTaxi que, além de ter sido importado para vários países do mundo, inspirou a criação de muitos outros apps de pedidos de táxi no Brasil e no exterior.

Porém, não adianta sofrer ou se ofender com posts como os do TechCrunch quando nosso mercado de inovação ainda é novo e incipiente, se comparado com os Estados Unidos e o norte europeu.

O que podemos fazer para mudar essa realidade é apostar em ideias que sejam cada vez mais “testáveis” antes de serem lançadas e, claro, softwares que estejam à altura dos problemas que pretendem resolver.

Nesse caso, pode contar com a X-Apps para que a sua empresa seja reconhecida e admirada pela originalidade – e por todo seu potencial de se fazer útil ao usuário.

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