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Nossas últimas novidadesComo aprovar rapidamente telas e fluxos (sem virar “troca infinita de feedback”)
“Aprovação rápida não é ‘passar correndo’. É ter um critério claro do que está OK — e registrar isso.”
Em praticamente todo projeto, existe um ponto em que o time precisa do seu OK para seguir com confiança: finalizar UI/UX, fechar fluxos e partir para a publicação.
O problema começa quando a aprovação vira um “vai e volta” sem fim, com comentários espalhados, pedidos contraditórios e mudanças fora de escopo aparecendo tarde demais.
Este post é um guia para clientes e áreas de negócio aprovarem telas e fluxos de forma objetiva, sem burocracia e sem perder qualidade.
O que você vai encontrar aqui
- Um processo simples de aprovação (rodadas curtas e controladas)
- Um modelo de checklist por tela
- Um modelo de checklist por fluxo (UAT rápido)
- Exemplos de feedback bom vs ruim
- Como centralizar comentários e evitar duplicidade
- Como definir e registrar um “OK para publicar”
Por que aprovações viram “troca infinita”
Normalmente acontece por 4 motivos:
- Falta de critério: ninguém sabe exatamente o que é “aprovado” (nem o que ainda está “em aberto”).
- Feedback espalhado: um pouco no WhatsApp, outro no e-mail, outro em áudio, outro em reunião.
- Sem responsável pelo OK final: todo mundo opina, mas ninguém decide.
- Escopo muda durante a validação: melhorias viram “obrigatórias” e travam a publicação.
A solução é simples: combinar um método (1 página), usar checklists e fechar a rodada com um “OK para publicar” bem definido.
O método prático (em 5 passos)
Passo 1 — Preparar a rodada (5 minutos que economizam dias)
Antes de comentar qualquer coisa, alinhe estes 6 itens:
- O que está sendo aprovado agora (escopo do lote)
Ex.: “Tela de login + cadastro + recuperação de senha”. - Qual versão é a referência
Ex.: link do Figma / link do protótipo / build de homologação.
Importante: um link por rodada. - Quem dá o OK final (uma pessoa)
Pode ouvir outras áreas, mas a decisão precisa ter um dono. - Prazo para feedback
Ex.: “Até quarta, 18h”. Isso evita feedback pingando por semanas. - Regra de ouro sobre escopo
Ajustes de “correção” entram na rodada.
“Ideias novas” viram backlog (não travam a publicação). - Como vamos registrar pendências e decisões
Um canal único (Figma comments, planilha, Jira/Trello, Notion, etc.).
Passo 2 — Validar cada tela com um checklist (objetivo > opinião)
A ideia do checklist é tirar a validação do “gosto pessoal” e trazer para “funciona para o usuário?”.
Use o modelo abaixo em toda tela (inclusive telas “simples”).
Checklist por tela (copie e cole)
Básico
- Qual é o objetivo desta tela? (1 frase)
- Textos revisados (título, botões, mensagens)
- Layout consistente com o restante do app
Comportamento
- Campos e validações fazem sentido (obrigatório/opcional, formato, máscara)
- Estados existem e estão claros: carregando / vazio / erro / sucesso
- Botões e links levam ao destino esperado (navegação)
Qualidade
- Mensagens de erro orientam o que fazer (não só “deu erro”)
- Dados sensíveis estão bem tratados (ex.: CPF, e-mail, senha, valores)
- Acessibilidade mínima (tamanho de fonte, contraste, foco e leitura)
Finalização
- Tela aprovada (ou pendências registradas com prioridade)
Dica: se a tela tiver regras de negócio importantes, anote logo abaixo do checklist (em linguagem simples). Isso evita discussão depois.
Passo 3 — Validar o fluxo completo (UAT rápido)
Além de aprovar telas “isoladas”, você precisa aprovar o caminho completo: o usuário começa em um ponto e termina no resultado certo.
UAT (User Acceptance Testing) é basicamente isso: o usuário/negócio validando se aquilo atende ao que foi pedido, antes de ir para produção.
Checklist por fluxo (copie e cole)
- Entrada do fluxo: de onde o usuário vem?
- Happy path: funciona do início ao fim sem travar?
- Erros comuns: o que acontece se eu preencher errado?
- Retorno/voltar: o botão voltar faz sentido?
- Persistência: se eu fechar e abrir, perdi dados?
- Mensagens: ficou claro o que aconteceu?
- Confirmação final: qual é o “sucesso” desse fluxo?
Se possível, valide o fluxo com um celular real (não só no computador) — principalmente para perceber legibilidade, cliques e tempo de carregamento.
Passo 4 — Dar feedback que gera ação (e não discussão)
O objetivo do feedback é permitir que a equipe execute o ajuste com clareza.
O melhor formato é:
Contexto + problema + esperado + evidência + prioridade
Exemplos práticos (ruim vs bom)
Feedback ruim (não acionável)
- “Tá estranho.”
- “Não gostei.”
- “Essa tela precisa melhorar.”
- “Deixa mais moderno.”
- “O botão tá feio.”
Feedback bom (acionável)
- “Tela: Login. Problema: o botão ‘Entrar’ fica desabilitado mesmo com campos válidos. Esperado: habilitar quando e-mail e senha estiverem válidos. Evidência: print. Prioridade: Alta (bloqueia acesso).”
- “Fluxo: Compra. Problema: ao voltar do pagamento, o carrinho some. Esperado: manter itens e mostrar status do pedido. Evidência: passos para reproduzir. Prioridade: Alta.”
- “Texto: Cadastro. Sugestão: trocar ‘Confirmar’ por ‘Criar conta’. Motivo: fica mais claro para o usuário. Prioridade: Média.”
Modelo pronto de feedback (copie e cole)
- Tela/Fluxo:
- Contexto: (o que você estava fazendo?)
- Problema: (o que aconteceu?)
- Esperado: (o que deveria acontecer?)
- Evidência: (print, vídeo curto, link, passos)
- Prioridade: Alta / Média / Baixa
Passo 5 — Centralizar comentários e fechar a rodada
Aqui está o ponto que mais reduz retrabalho: um lugar único para comentários.
Regras simples:
- Use um canal principal para registrar feedback (ex.: comentários no Figma).
- Cada item vira uma “pendência” clara (não um texto solto).
- Quando algo estiver resolvido, marque como resolvido e passe para o próximo.
- No final, registre “OK para publicar” (com data e responsável).
Se você está usando Figma, prefira comentar diretamente na tela (em vez de mandar textos por fora). Assim o comentário fica preso no lugar certo e não se perde.
Como definir “OK para publicar” (o critério que evita discussão)
“OK para publicar” precisa ser uma regra objetiva, do tipo passa/falha. Não precisa ser perfeito — precisa estar “suficientemente bom” para ir ao ar com segurança.
Um padrão simples de OK para publicar
Considere “OK para publicar” quando:
- Checklist por tela concluído (todas as telas do escopo)
- Fluxos principais testados (happy path + erros comuns)
- Critérios de aceitação atendidos (o que foi combinado como sucesso)
- Sem bugs críticos/bloqueadores para o usuário final
- Textos finais aprovados (inclusive mensagens de erro)
- Aprovação registrada: nome do aprovador + data + versão
Exemplo de mensagem de aprovação (copie e cole)
“OK para publicar – Versão X (UAT concluído).
Aprovado por: Nome Sobrenome – Cargo – DD/MM/AAAA.”
Como evitar “escopo infinito” sem travar melhorias
Uma regra que funciona bem é classificar cada feedback em 3 tipos:
- Correção (bug, erro de texto, fluxo quebrado, regra de negócio incorreta)
→ entra na rodada e deve ser resolvido antes do OK. - Ajuste desejável (melhoria de usabilidade, refinamento visual, microcópia)
→ entra se couber no prazo; se não, vira backlog. - Nova ideia (funcionalidade nova, mudança de regra, novo módulo)
→ backlog. Não bloqueia a publicação.
Isso protege a data de entrega sem ignorar melhorias.
Um roteiro de aprovação em 30–45 minutos (para reunião ou validação individual)
- 5 min — Relembrar objetivo e escopo da rodada (quais telas/fluxos).
- 15–20 min — Revisar telas com checklist (anotar pendências).
- 10–15 min — Validar 1–2 fluxos ponta a ponta (UAT rápido).
- 5 min — Priorizar pendências (Alta/Média/Baixa).
- 2 min — Definir “OK para publicar” ou “Ajustes pendentes”.
Checklist final (para você não esquecer)
Antes de encerrar uma rodada, confirme:
- Existe 1 aprovador responsável pelo OK final
- Feedback foi centralizado em 1 canal
- Pendências têm prioridade e contexto
- Rodada tem versão/link definidos
- OK para publicar foi registrado (nome + data)
Se você aplicar esse método em todo projeto, a aprovação deixa de ser um gargalo e vira uma etapa rápida, clara e controlada.