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Nossas últimas novidadesLogin no app: qual modelo escolher (e-mail/senha, Google, Apple, SSO)
Login bem escolhido reduz abandono, suporte e retrabalho. Login mal escolhido vira “dor eterna” (para o time e para o usuário).
É comum começar um app escolhendo o login “mais fácil” (ou copiando o que outro produto faz). O problema é que cada modelo de autenticação muda diretamente:
- a taxa de cadastro/conversão (quantas pessoas entram no app de verdade);
- o volume de suporte (“esqueci a senha”, conta bloqueada, troca de e-mail);
- a privacidade (quais dados você coleta e armazena);
- e até a aprovação nas lojas (principalmente no iOS).
Neste artigo, você vai entender as principais opções e como decidir com segurança — sem transformar o login em uma decisão interminável.
O que você vai ver aqui
- Os 4 modelos mais usados: e-mail/senha, Google, Apple e SSO (empresa).
- Vantagens e desvantagens de cada um (com foco em UX, suporte e privacidade).
- Quando o login social faz sentido (e quando atrapalha).
- Um checklist simples para escolher o caminho certo.
- Erros comuns (e como evitar dor no pós-lançamento).
Antes de tudo: você precisa mesmo de login?
Pode parecer óbvio, mas vale a pergunta: o usuário precisa criar conta para usar a funcionalidade principal?
Se o login não é essencial, considere:
- modo convidado (explora o app sem cadastro);
- pedir login só no momento de valor (ex.: salvar favoritos, finalizar compra, acessar conteúdo pago).
Isso reduz abandono na primeira tela e aumenta a chance de o usuário “entender o app” antes de se comprometer.
Visão geral dos modelos
Em 90% dos projetos, o login cai em um destes quatro modelos:
- Conta própria (e-mail/senha ou variações como “magic link”/código)
- Login com Google (federado / “social login”)
- Login com Apple (Iniciar sessão com a Apple)
- SSO corporativo (Single Sign-On: login da empresa — Microsoft Entra ID, Google Workspace, Okta etc.)
A seguir, vamos detalhar cada um.
1) E-mail e senha (conta própria)
O modelo clássico: o usuário cria uma conta no seu sistema e entra com e-mail e senha.
Quando esse modelo é uma boa escolha
- Você precisa de controle total do cadastro (campos, perfis, regras).
- Seu público não tem “um provedor padrão” (ex.: apps que atendem diversos países e perfis).
- Você quer independência de terceiros (Google/Apple/IdP corporativo).
Principais vantagens
- Funciona em qualquer plataforma (iOS, Android, web).
- Não depende de políticas de terceiros para o login existir.
- Permite estratégias como login por e-mail + senha, login por telefone + código, links mágicos, etc.
Principais desvantagens (as que geram custo)
- Suporte: “esqueci minha senha” vira rotina (e precisa ser muito bem feito para evitar fraudes).
- Atrito: criar senha é um passo a mais e aumenta abandono (principalmente em primeira visita).
- Risco operacional: você passa a ser responsável por segurança, antifraude e recuperação de conta.
Boas práticas (em linguagem simples)
Você não precisa saber criptografia para entender a ideia: o que importa é garantir que:
- O usuário consiga recuperar a conta com segurança (sem facilitar golpe).
- Você tenha mecanismos contra abuso (tentativas de senha, bots, etc.).
- O fluxo seja simples e sem pegadinhas.
Dica prática: quando o projeto é B2C, muitas empresas evoluem do “e-mail/senha puro” para passwordless (código por e-mail/SMS ou link mágico) ou para passkeys (quando a base de usuários e a maturidade permitem).
2) Login com Google
Aqui, o usuário não cria uma senha no seu app: ele usa a conta Google para se autenticar. Tecnicamente, o login do Google se baseia em OAuth 2.0 e OpenID Connect (você recebe um “token” de identidade para validar quem é o usuário).
Quando faz sentido
- Público com alto uso de Android e Gmail.
- Você quer reduzir atrito no cadastro/login.
- Você quer aproveitar o nível de segurança da conta do usuário (como verificação em duas etapas do Google, quando ativa).
Vantagens
- Menos fricção (muito usuário já está logado no celular).
- Reduz “esqueci a senha” (menos tickets de suporte).
- Experiência conhecida pelo usuário.
Desvantagens e cuidados
- Você precisa manter um caminho para recuperação quando o usuário perde acesso à conta Google.
- É comum surgirem casos de conta duplicada se você não planejar bem (ex.: usuário usou e-mail/senha e depois Google com o mesmo e-mail).
- No Android, o “jeito certo” de implementar tende a mudar com o tempo (hoje, o caminho moderno é integrar com o Credential Manager, que unifica passkeys, senhas e login federado em uma interface só).
3) Login com Apple (Iniciar sessão com a Apple)
O “Iniciar sessão com a Apple” é o login social da Apple com foco forte em privacidade. O usuário pode compartilhar o e-mail real ou optar por “Ocultar meu e-mail” (a Apple cria um e-mail de encaminhamento).
Quando faz sentido
- Você tem app iOS (obviamente), principalmente B2C.
- Você quer reduzir atrito e, ao mesmo tempo, reforçar privacidade.
- Você quer evitar risco de rejeição na App Store quando já oferece outro login social.
Vantagens
- Experiência rápida (muitos usuários já estão autenticados no dispositivo).
- Reforço de privacidade (opção de ocultar e-mail).
- Menos tickets de “esqueci a senha” do que e-mail/senha.
Desvantagens e cuidados práticos
- “Ocultar meu e-mail” pode confundir processos internos (ex.: usuário não lembra qual e-mail usou). Isso é resolvido com bom design de conta e suporte.
- Em alguns casos, você recebe nome/e-mail apenas no primeiro login; depois, o identificador do usuário é o que vale para vincular conta.
- Se seu app envia e-mails transacionais (ex.: confirmação, aviso, recuperação), você precisa garantir que está enviando corretamente para o e-mail de encaminhamento quando aplicável.
Atenção importante para iOS: regra de equivalência do login
Se o seu app usa login social/terceiros para autenticar a conta principal (ex.: Google, Facebook etc.), a Apple exige que você ofereça uma opção equivalente de login que respeite requisitos de privacidade (limitar coleta a nome/e-mail, permitir e-mail privado e não rastrear para publicidade sem consentimento), com algumas exceções (por exemplo, apps corporativos que exigem login empresarial).
Na prática, para a maioria dos apps B2C, isso significa: se você tem “Entrar com Google” no iOS, você também deve oferecer “Entrar com Apple”.
4) SSO corporativo (Single Sign-On)
SSO é quando o usuário entra no app usando a conta da empresa/escola (por exemplo, Microsoft Entra ID, Google Workspace, Okta). A ideia é: um login para vários sistemas.
Existem dois “padrões” comuns por trás disso:
- SAML (muito comum em empresas tradicionais)
- OpenID Connect (OIDC) (muito comum em apps modernos)
Você não precisa decorar os nomes. O importante é entender o efeito prático: a empresa controla quem entra, quando entra e quando perde acesso.
Quando faz sentido
- App B2B (uso interno, parceiros, franquias, times de venda).
- Projetos em que desligamento/rotatividade é alto e a empresa precisa revogar acesso rápido.
- Ambiente com exigência de segurança (políticas corporativas, MFA obrigatório, etc.).
Vantagens
- Menos suporte: o usuário “não cria senha do app”; ele usa o login corporativo.
- Controle centralizado: desligou, perdeu acesso (sem depender de alguém lembrar de cancelar).
- Melhora compliance (em muitos cenários corporativos).
Desvantagens
- Precisa do time de TI/infra do cliente (não é um botão “rápido”).
- Pode ser excessivo para app B2C (onde não existe uma “conta corporativa padrão”).
- Você precisa planejar um fallback (o que acontece se a empresa ficar sem acesso ao IdP?).
Comparativo rápido (sem complicação)
| Opção | Melhor para | Atrito de entrada | Suporte (“esqueci…”) | Privacidade | Complexidade de projeto |
|---|---|---|---|---|---|
| E-mail/senha | Qualquer público; quando você precisa de controle | Médio/alto | Alto | Depende do seu design | Média |
| B2C, público Android, onboarding rápido | Baixo | Baixo/médio | Boa se coletar o mínimo | Média | |
| Apple | B2C no iOS, privacidade, requisito de equivalência | Baixo | Baixo/médio | Muito forte | Média |
| SSO | B2B, uso interno, parceiros, franquias | Baixo (para o usuário) | Baixo | Alta (empresa controla) | Alta |
Como escolher em 5 perguntas
- Seu app é B2C (público geral) ou B2B (empresa)?
B2C costuma precisar de menos atrito; B2B costuma priorizar controle e segurança. - Você precisa de login já no primeiro acesso?
Se não precisar, comece com modo convidado e peça login depois. - Seu público usa mais Android ou iOS?
Isso influencia muito a adoção de Google/Apple. - Você tem time para lidar com suporte de conta?
Se não tiver, evite depender só de e-mail/senha. Login social/SSO reduz chamados. - Você vai oferecer login social no iOS?
Se sim, quase sempre é prudente oferecer também login com Apple para evitar problemas de aprovação.
Boas combinações (recomendação por cenário)
Cenário A: app B2C (iOS + Android) e precisa crescer rápido
Recomendação típica:
- Google + Apple + e-mail (ou e-mail por código/link, sem senha)
Por quê?
- Você reduz atrito.
- Você cobre os dois ecossistemas.
- Você mantém um “fallback” para quem não quer login social.
Cenário B: app B2B (uso interno / parceiros)
Recomendação típica:
- SSO corporativo (SAML/OIDC) como principal
- fallback controlado (ex.: magic link para usuários externos autorizados)
Por quê?
- A empresa controla acessos e desligamentos.
- Você reduz suporte e aumenta segurança.
Cenário C: app com privacidade como diferencial
Recomendação típica:
- Apple + e-mail (minimalista) e política clara de dados
Por quê?
- Menos coleta, menos exposição, mais confiança.
Impacto no suporte: o que realmente muda (“esqueci a senha”)
Quando você escolhe e-mail/senha, você precisa considerar um volume inevitável de:
- reset de senha;
- troca de e-mail;
- conta “invadida” (ou suspeita);
- tentativas de fraude na recuperação.
Com login social e SSO, isso diminui, mas não zera: ainda existe suporte de “perdi acesso ao provedor”, “troquei de empresa”, “meu e-mail não recebe”, etc.
Por isso, independentemente do modelo, é saudável ter duas regras no produto:
- Recuperação de conta sempre tem que existir e ser testada (antes do lançamento).
- Um usuário = uma conta no seu backend (evitar duplicidade e confusão).
Erros comuns que geram retrabalho (e como evitar)
- Criar contas duplicadas sem perceber
Ex.: usuário cadastra com e-mail e depois entra com Google.
Solução: planejar vinculação e unificação de contas desde o início. - Pedir dados demais no login social
Solução: pedir apenas o necessário (nome/e-mail) e só expandir se existir motivo claro. - Não considerar a regra de equivalência no iOS
Solução: se houver login social/terceiros para conta principal, planeje também a opção Apple (salvo exceções específicas). - Não testar o fluxo de ponta a ponta
Solução: testar cadastro, login, logout, troca de dispositivo e recuperação — com um checklist simples.
Fechando: qual é o melhor login?
Não existe “o melhor login” universal. Existe o melhor login para o seu público, seu canal (iOS/Android/web), sua operação de suporte e seu nível de risco.
Se você quiser uma regra prática para começar:
- B2C: Google + Apple + alternativa por e-mail (preferencialmente sem senha, quando possível).
- B2B: SSO (SAML/OIDC) com fallback controlado.
- Quando login não é essencial: modo convidado e login só na hora certa.