Blockchain: Como a tecnologia vai revolucionar a integração de sistemas no futuro

Em 1988 o cartão de crédito não existia. As pessoas que gostariam de parcelar suas compras o faziam através de notas promissórias, que eram quitadas como carnês.

Em 2008, há dez anos, os cartões não só existiam como, também, a grande maioria das transações financeiras já eram feitas por caixas eletrônicos, e não mais na boca do caixa, como era costumeiro.

Surgiu, nesse ano, uma nova forma de realizar transações eletrônicas de maneira mais segura, pela internet: o blockchain. E, às portas de 2018, não dá pra falar do assunto sem se esbarrar em polêmicas que já englobam uma das mais recentes inovação financeira do planeta, que é a moeda criptografada.

O termo blockchain vem do inglês “encadeamento de dados” e é, justamente, nisso que se embasa: em registros e dados distribuídos e compartilhados que tem como objetivo principal criar um índice global de transações para determinado mercado. Apesar de garantir o anonimato dos compradores e vendedores, o blockchain é visto como um grande livro contábil a céu aberto, que disponibiliza informações sobre saldos e transações através de carteiras ao redor do mundo.

Se entender o conceito de blockchain já é complicado, imagine tentar prever como ela vai revolucionar a integração de sistemas no futuro. Para simplificar a profecia, basta dizer que lá em 1988, no começo do nosso texto, o grande público não sabia bem o que era internet. Hoje, todo mundo usa a internet para tudo, a todo instante, sem nem se dar conta disso.

É por essas e outras que cada vez mais empresas e pessoas estão se dando conta que a moeda em criptografia tem tudo para se tornar um hábito natural e intuitivo com o passar do tempo. Isso significa que as corporações, principalmente da área financeira, devem ficar de olhos bem abertos para não perder oportunidade e mercado.

Bitcoin, Contratos Inteligentes e Segurança

Esqueça moedas virtuais para resolver, apenas, problemas virtuais: o blockchain segue seu curso natural de inovação tecnológica enquanto suas moedas são utilizadas na vida real das pessoas, no dia a dia fora do computador.

A forma “alternativa” de transação financeira virou notícia esse ano no Brasil quando, em Santa Catarina, sequestradores pediram pagamento de resgate da vítima em bitcoins, a criptomoeda mais utilizada do mundo. A título de curiosidade, 1 bitcoin vale, em junho de 2017, 10 mil reais.

Outra novidade que o blockchain traz é o smart contract, uma espécie de documento que se auto-executa através de regras formalizadas entre as partes, sem necessidade de intermediários. Para entender, basta pensar na compra e venda de um imóvel que, hoje, envolve a parte compradora, a vendedora e o governo, representado por um cartório, que não é nada barato. Com um contrato auto-executado, o governo poderia sair da jogada e, enquanto as regras do jogo fossem seguidas por ambas as partes, o smart contract estaria em vigor.

O que faz com que essas soluções sejam possíveis – e estejam mais perto do que imaginamos – é a segurança dos dados que passam pelo blockchain. Como todos os dados são compartilhados por carteiras ao redor do mundo, um hacker que entrasse em uma única fonte de dados conseguiria apenas um pedaço de informação, e não o panorama do todo.

Hoje em dia, se um ataque bancário ocorre com apenas uma pessoa, será sua conta que perderá todo o dinheiro. No blockchain esse tipo de assalto fica bem mais difícil, para não dizer impossível, pois muitas contas deveriam ser hackeadas simultaneamente, de maneira coordenada, para que os valores pudessem ser extraídos delas.

Novos rumos da tecnologia

Segundo especialistas, o blockchain já saiu da aura de uma “tecnologia disruptiva” para virar uma possibilidade real de maior segurança de dados para negócios que lidam com transações online. E tudo leva a crer que, ainda que ela possa ser aplicada em qualquer tipo de empresa, duas instituições poderão tirar bastante proveito dela se forem espertas: os bancos e o governo.

Como os sistemas bancários ainda são muito vulneráveis à fraude, lidar com esse tipo de tecnologia diminuiria bastante os riscos de invasão a sistemas. Isso pode resultar em desastre, como quando um grupo de hackers invadiu um banco brasileiro por seis horas em 2016 e, com o controle das operações pela internet e pelos caixas eletrônicos, conseguiram acesso a senhas, cartões de crédito e informações pessoais. Essa ação precisaria de uma força computacional gigantesca para ocorrer se o banco se utilizasse do blockchain.

O governo também pode se beneficiar da tecnologia para entender mais sobre mercados ilegais, esquemas de corrupção e fraudes com o dinheiro público.

A grande polêmica da vez é a natureza anônima do blockchain: hoje, uma pessoa consegue usar moeda criptografada para comprar qualquer sorte de produtos e serviços na deep web sem ter sua identidade revelada. E, quanto mais for utilizado, mais esse recurso tende a apresentar falhas.

Mas esses são assuntos para outra hora. O que você precisa saber, hoje, é que o blockchain é uma tecnologia capaz de revolucionar o mundo financeiro como o conhecemos. Prepare sua carteira virtual: daqui a pouco, falar sobre bitcoin, smart contract e outros bichos será tão natural quanto passar o cartão na maquininha e escolher entre crédito e débito.

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