Como Desenvolver uma Fintech – do software até a regulamentação

Já no fim de 2016, pouco tempo depois de surgir no mercado, o Nubank publicou uma nota que deixou a internet polvorosa.

A fintech mais famosa do Brasil avisava a seus usuários sobre a possibilidade de deixar de existir frente a uma possível decisão do Banco Central sobre o pagamento a empresas que se utilizam de maquininhas de cartão: o processo, que hoje dura 30 dias, passaria a durar apenas dois – desfecho impossível para o Nu, que não conta com o mesmo capital de giro dos grandes bancos.

Para felicidade geral da nação, o BC voltou atrás e o cartão roxo comemorou. Mas qual é o diferencial do Nubank para que ele seja tão amado pelas pessoas a ponto de deixá-las apavoradas em perdê-lo?

Utilizamos a marca para ilustrar uma realidade de todas as fintechs: enquanto os trâmites de banco, principalmente os que envolvem cartões de crédito, têm taxas, regras e inúmeras complicações, uma fintech tenta prestar serviços similares de forma mais simples, rápida e transparente para o usuário.

O cartão roxo, por exemplo, ficou famoso por não cobrar anuidade, contar com análise de crédito rápida e menos rigorosa.

Além disso, seu suporte é todo feito por aplicativo, de forma eficaz a ágil. Outras fintechs que surgem Brasil e mundo afora seguem esse mesmo midset, privilegiando a experiência do usuário como forma de fidelizar seus clientes.

Pensando o software

Para que uma fintech tenha lugar no mercado financeiro hoje em dia, ela deve ter, acima de tudo, o que os especialistas chamam de “cultura de fintech”: a experiência do usuário deve vir acima de todas as outras prioridades, através de um desenvolvimento de software tão simples que qualquer pessoa, seja ela heavy ou light user de aplicativos, tenha completa capacidade de utilizá-lo.

Em outras palavras, uma fintech tem que ser tudo que um banco não é, a começar pela burocracia.

Bancos têm que atender bem os clientes que vão até suas agências pagar contas e sacar dinheiro, os que querem fazer tudo pela internet e, nesse ínterim, os que não suportam ter que ligar para uma central de atendimento atrás de informações.

Por ter de atender bem a todos esses perfis, os bancos acabam não atendendo bem a nenhum.

Ou você está tão satisfeito com o seu banco que pagaria a mais para que ele te prestasse o serviço?

A fintech vai na contramão desse movimento: ela se baseia em nichos. Não quer atender todo mundo, mas quer atender muito bem a uma parcela específica da população.

Quer ser uma saída para pessoas que estão negativadas e não conseguem crédito, para aqueles que querem melhorar sua margem de crédito e até para os chamados “não bancarizados”, indivíduos que não tem conta no banco ou possuem uma conta tão no vermelho que só lidam com dinheiro vivo, para não correr o risco de depositar o montante e vê-lo se perder em juros.

O Nubank, mais uma vez, é o exemplo perfeito de atendimento a todos esses perfis: ele deixa que o usuário cadastrado escolha seu limite de crédito, troque rapidamente as datas de fechamento e vencimento da fatura e pague o devido mensal por boleto.

Fintechs nascem para ter um conceito lean: são enxutas, simples e voltadas para grupos específicos de consumidores. Seus aplicativos devem ser intuitivos, com problemas e dúvidas de usuários sendo resolvidos em poucos cliques.

Por onde começar?

Para os empreendedores que desejam se aventurar no promissor mundo das fintechs, o primeiro passo é certamente contar com um bom time de programadores.

Afinal, só porque o aplicativo final tem, culturalmente, que ser simples, isso não significa que o processo de desenvolvimento de software também o seja.

Pelo contrário: as startups ligadas ao mercado financeiro têm diversos detalhes de regulamentação e segurança que precisam ser seguidos à risca por profissionais que entendam do assunto.

Por falar em regulamentação…

Quando o assunto das fintech vem à tona em fóruns online ou eventos em geral, uma dúvida que inevitavelmente ruge é: quem é que regulamenta o mundo das startups financeiras?

A seara ainda está um pouco carente em termos de regulação, mas o Banco Central já atua com fiscalização atenta no meio das fintechs. Com a ajuda da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) o BC ensaia os primeiros movimentos para atualizar as regras que regem startups de cunho financeiro.

E já passou da hora de termos uma estrutura mais explicativa para o surgimento de empresas desse mercado: de acordo com a consultoria Fintechlab, de fevereiro de 2015 a fevereiro de 2017 o número de fintechs no mundo passou de poucas dezenas para 250.

E, como em todo mercado aquecido, esse número só tende a subir.

Algumas delas já estão em processo de fusão a grandes bancos para que os gigantes consigam prestar melhores serviços através das startups, como no caso da XP Investimentos, comprada recentemente pelo Banco Itaú.

Ainda que não exista uma regulamentação específica, as fintechs brasileiras podem se basear nas regras da Febraban para proteger seu negócio e os interesses dos seus clientes.

Só não precisam copiar, claro, a morosidade do setor bancário brasileiro.

Afinal, ao que tudo indica, a população que se apaixonou perdidamente pelo Nubank está de coração aberto para novas iniciativas que descompliquem sua vida financeira.

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