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Nossas últimas novidadesMFA/2FA para clientes: como não travar o projeto e manter a conta segura
MFA/2FA aumenta a segurança — mas, quando mal configurado, pode virar o maior gargalo do projeto: ninguém consegue acessar a conta na hora de publicar, renovar certificado, subir uma nova versão ou atender uma solicitação da loja.
Neste artigo você vai aprender um modelo simples (para leigos) que mantém a conta protegida e acessível. A ideia é evitar os dois extremos: “sem segurança” e “seguro, porém inacessível”.
MFA e 2FA: qual a diferença?
- 2FA (autenticação de dois fatores): sempre são dois fatores (ex.: senha + código).
- MFA (autenticação multifator): pode ser dois ou mais fatores. Na prática, muita gente usa MFA e 2FA como sinônimos.
O ponto importante é: não basta ativar MFA/2FA. Você precisa de um plano de recuperação.
O problema real: “mais seguro” não pode virar “inacessível”
Os travamentos mais comuns em projetos acontecem por motivos simples:
- O 2FA fica preso em um único celular (de uma pessoa específica).
- O e-mail/telefone de recuperação é pessoal (funcionário saiu, fornecedor saiu, número trocou).
- Não existem códigos de backup, chave reserva, contatos de recuperação, ou “plano B”.
- Só existe um “dono” (owner) na conta — e ele não está disponível quando precisa.
- Senhas e códigos são compartilhados por e-mail/WhatsApp (risco e bagunça).
O resultado: atrasos, estresse, e risco de perda da conta ou do app.
Regra de ouro: a conta é da empresa. O acesso é por papéis (e com redundância)
O modelo que mais funciona para publicação e operação de apps é:
- 1 responsável principal (dono/owner): sempre alguém da empresa (ex.: TI, Diretoria, Financeiro).
- 2 administradores de backup (“break glass”): pessoas internas, com acesso completo para emergência.
- Fornecedor/Software house: acesso por convite, com o papel necessário (idealmente administrador, quando o escopo inclui publicação).
Isso evita que o projeto dependa de “um único telefone” ou “um único e-mail”.
Checklist rápido (15–30 min) para configurar sem risco de travar
Use este checklist como padrão para qualquer conta crítica (Apple, Google, AWS, etc.):
-
Defina o Owner (da empresa)
- Quem é a pessoa que “responde” pela conta e por aprovações?
- Ideal: alguém que não vai sair do projeto e que tem disponibilidade mínima para emergências.
-
Crie uma política simples de acesso
- “Ninguém compartilha senha por mensagem.”
- “Acesso é por convite e permissões.”
- “Todo mundo com acesso usa MFA/2FA.”
-
Ative MFA/2FA com pelo menos 2 métodos
- Método principal (ex.: app autenticador ou chave de segurança).
- Método de contingência (ex.: códigos de backup / segundo dispositivo / número confiável corporativo).
-
Cadastre recuperação (sem expor dados sensíveis)
- Use um gerenciador de senhas (cofre) para guardar: senha, códigos de backup, chave reserva (se existir) e instruções.
- Restrinja acesso ao cofre para Owner + backups.
- Evite mandar prints e códigos em conversas.
-
Crie redundância de pessoas
- Adicione pelo menos mais 2 administradores internos.
- Teste: “Se o Owner ficar indisponível, conseguimos entrar?”
-
Documente em 1 página (“Runbook de Acesso”)
- Quem é Owner e backups.
- Onde está o cofre.
- Quais métodos de MFA estão configurados.
- Como agir em caso de troca de responsável.
Quais métodos de MFA escolher? (e por quê)
Nem todo método é igual. Use esta ordem prática:
| Método | Quando usar | Prós | Contras |
|---|---|---|---|
| Chave de segurança (FIDO/U2F) | Contas críticas (publicação, nuvem, pagamentos) | Forte contra phishing, excelente para “conta da empresa” | Exige comprar/guardar, precisa de processo |
| App autenticador (TOTP) | Padrão para times | Bom equilíbrio entre segurança e praticidade | Se ficar em 1 celular só, trava o projeto |
| Notificação em dispositivo confiável | Bom para quem usa ecossistema Apple/Google | Conveniente | Depende de dispositivos confiáveis ativos |
| SMS/Ligação | Somente como contingência | Fácil para começar | Mais frágil e pode falhar em viagens/portabilidade |
| Códigos de backup / recuperação | Obrigatório como “plano B” | Resolve emergências | Se vazarem, viram risco (guardar em cofre) |
Dica simples: o melhor MFA é aquele que você consegue recuperar de forma segura.
Como configurar recuperação sem expor dados sensíveis
Algumas boas práticas que evitam 90% dos incidentes:
- Nunca envie senha e código de MFA juntos.
- Não use e-mails pessoais como “recuperação” de contas corporativas.
- Centralize em um cofre (gerenciador de senhas) com controle de acesso.
- Guarde códigos de backup como segredo (equivalem a “chave da casa”).
- Evite dependência de 1 aparelho: tenha um segundo fator redundante (outro dispositivo, outra chave, etc.).
Se a plataforma oferecer “contato de recuperação” ou “chave reserva”, trate isso como item de governança: só configurar quando existir processo claro de guarda e troca.
Troca de responsável (onboarding/offboarding): rotina que evita desastre
Sempre que alguém entra ou sai (funcionário ou fornecedor), faça este ritual:
- Adicionar o novo responsável como admin.
- Garantir que ele configurou MFA/2FA e métodos de contingência.
- Atualizar o “Runbook de Acesso”.
- Remover o acesso do responsável antigo.
- Rotacionar credenciais sensíveis quando necessário (senha, códigos de backup, chaves, dispositivos).
Isso parece burocracia, mas é o que impede que o app “morra” por falta de acesso.
Exemplos práticos (Apple e Google Play) sem complicar
Apple Developer / App Store Connect (visão geral)
- A Apple exige autenticação de dois fatores para contas e, em ambientes de publicação, é comum que todos os usuários do App Store Connect usem 2FA.
- Em vez de compartilhar um único login, use o recurso de convidar membros da equipe e atribuir função (Administrador/Desenvolvedor), mantendo o Owner com a empresa.
O cuidado nº 1 aqui é manter: número confiável atualizado, dispositivo confiável ativo e mais de um administrador interno.
Google Play Console (visão geral)
- O Google recomenda fortemente ativar verificação em duas etapas para todas as contas com acesso ao Play Console.
- No Play Console, existe diferença entre proprietário da conta (owner) e administradores. O owner deve ficar com a empresa, e o fornecedor entra como administrador quando precisa publicar e operar.
O cuidado nº 1 aqui é ter opções de backup (códigos, segundo método) e mais de um administrador interno.
“Mini-política” pronta para copiar e colar (para sua empresa)
- A conta é corporativa e pertence à empresa.
- O Owner é interno e tem 2 backups internos.
- Todo usuário com acesso usa MFA/2FA.
- Existe pelo menos 1 método de contingência (códigos de backup / chave reserva / segundo fator).
- Senhas e códigos ficam em cofre, com acesso controlado.
- Toda troca de responsável exige checklist e atualização do runbook.
Precisa de ajuda para estruturar isso sem atrito?
Se sua empresa quer evitar travas na publicação, problemas de acesso e riscos de segurança, a X-Apps pode ajudar a estruturar a governança de contas, permissões e a rotina de operação pós-lançamento (incluindo processos de segurança, publicação e sustentação do app).
Procure “Operação DevOps” no site da X-Apps ou fale com o nosso time para avaliar o cenário e montar um plano de operação.