Índice do artigofaltam 7 min de leitura
O Framer Motion não foi descontinuado nem comprado: ele se separou da Framer em novembro de 2024 e virou Motion. O núcleo continua MIT e gratuito, e o que passou a custar é o catálogo de coisas prontas em cima dele.
Existe uma confusão cara circulando em decisão de projeto: a ideia de que o Framer Motion agora é pago, ou de que usar a biblioteca amarra o time à plataforma Framer. As duas coisas são falsas, e acreditar nelas leva a trocar de biblioteca sem necessidade ou a orçar licença que não existe.
Este artigo separa o que mudou de nome, o que mudou de dono, o que continua gratuito e o que virou produto pago. No fim, o critério prático de quando escolher Motion e quando escolher outra coisa.
Resumo do artigo
- O Framer Motion virou Motion em 12 de novembro de 2024, quando o projeto se separou da Framer, que passou a ser patrocinadora e não proprietária.
- O núcleo segue sob licença MIT e gratuito para uso comercial; a versão estável em agosto de 2026 é a 13.1.1.
- O pacote antigo continua publicado e ainda é o mais baixado: 44,6 milhões de downloads semanais contra 19,3 milhões do nome novo.
- O Motion+ é um produto pago à parte, com pagamento único de 299 libras na licença pessoal, e é onde moram recursos como o divisor de texto.
O Motion é o Framer Motion depois da separação
Motion é uma biblioteca de animação para React, JavaScript e Vue, e é a mesma biblioteca que o mercado conhecia como Framer Motion. A mudança foi anunciada por Matt Perry, seu criador, em 12 de novembro de 2024, no texto que apresentou o projeto independente e o novo endereço, motion.dev.
A separação foi consensual e financiada. Perry trabalhou seis anos na Framer desenvolvendo a biblioteca e saiu para tocá-la sozinho, com a empresa entrando como primeira patrocinadora. O ponto que interessa a quem decide stack é que a governança mudou: quem define o roteiro do projeto hoje é o mantenedor, não a agenda de produto de uma plataforma de design.
Separar o Motion é uma jogada ousada da Framer, e fico muito feliz que eles estejam a bordo como o primeiro patrocinador do Motion.
Na época da saída, o Framer Motion acumulava mais de 4,5 milhões de downloads semanais no npm, segundo o próprio anúncio. Esse número é o ponto de partida para entender o que aconteceu com a adoção depois.
O nome antigo ainda é o mais baixado, quase dois anos depois
O pacote mudou de nome, mas o antigo não foi aposentado. Em 20 de agosto de 2026, framer-motion e motion foram publicados no mesmo dia, na mesma versão 13.1.1, o que confirma que o nome legado é mantido em sincronia deliberada e não é código órfão.
O tamanho dessa cauda é a informação prática. Quase dois anos depois da renomeação, o nome antigo recebe mais do que o dobro de downloads do nome novo.
Fonte: registro npm, downloads da semana de 18 a 24/08/2026, e API do GitHub para o repositório motiondivision/motion.
Para quem mantém código, isso significa duas coisas. Migrar de framer-motion para motion é opcional no curto prazo, porque as versões andam juntas. E procurar solução de problema pelo nome antigo continua funcionando, porque a maior parte do material publicado ainda usa esse vocabulário.
A migração em si é rasa: desinstalar framer-motion, instalar motion e trocar os imports de "framer-motion" para "motion/react". A documentação oficial de atualização registra que a versão 12 não trouxe mudanças que quebram o uso em React, e que a 13.0 removeu a dependência opcional @emotion/is-prop-valid, o que afeta apenas quem usa Styled Components ou Emotion.
O núcleo é MIT e gratuito; o Motion+ é outro produto
A biblioteca está sob licença MIT no repositório motiondivision/motion, e o site declara que ela é completamente gratuita para usar. Isso cobre uso comercial, produto fechado, redistribuição e modificação, sem assinatura e sem cláusula adicional.
O que existe em paralelo é o Motion+, um produto pago que não é uma versão premium da biblioteca, e sim um catálogo em cima dela. Nada do que está no núcleo passou a ser cobrado na transição.
O Motion+ vende tempo, não recurso de motor
O Motion+ é descrito na página oficial como um pagamento único por mais de 430 exemplos, componentes premium, fluxos de IA e o editor visual de transições. A licença pessoal custa 299 libras, e a página é explícita sobre o que acesso vitalício significa: você paga uma vez e recebe todas as atualizações futuras. A licença business é uma assinatura anual por assento, sem preço publicado.
O que está do lado pago são componentes que muita equipe reescreveria à mão: splitText, Ticker, Cursor, Carousel, Typewriter, ScrambleText e AnimateNumber, além de 30 seções prontas de interface e um kit de ferramentas de IA.
Motion
Para qualquer projeto Grátislicença MIT- Motor de animação completo para React, JavaScript e Vue
- Gestos, layout, AnimatePresence e física de mola
- Uso comercial sem restrição de licença
Motion+ pessoal
Pagamento único Para quem entrega interface com frequência £ 299uma vez, com atualizações vitalícias- Mais de 430 exemplos prontos
- Componentes premium, incluindo splitText e Cursor
- Motion UI, com 30 seções de interface
- Editor visual de transições e kit de IA
Fonte: motion.dev/plus, leitura de 28/08/2026. A licença business é anual por assento e não tem preço publicado na página.
A conta que decide a compra é simples e não tem nada de técnica: se o time gasta mais de um dia por trimestre reimplementando divisor de texto, carrossel ou contador animado, o pagamento único se paga na primeira entrega. Se a animação do produto é pontual, o núcleo gratuito resolve.
O peso no bundle é uma decisão de arquitetura
O Motion não tem um tamanho, tem uma faixa, e a diferença entre as pontas dessa faixa é grande o suficiente para virar critério de projeto. A documentação oficial de redução de bundle publica os números e eles variam por mais de dez vezes conforme a API escolhida.
A leitura do gr áfico é que o número que assusta, 34 kb, é o do caminho mais confortável de escrever. Trocar motion.div por m com LazyMotion derruba o custo do primeiro render para menos de 5 kb e empurra o resto para depois, ao preço de mais cerimônia no código. Em landing page que precisa passar em métrica de carregamento, essa troca costuma valer.
O site também afirma que as APIs do Motion são até 90% menores que a alternativa equivalente no GSAP. Vale registrar que essa é uma comparação publicada pelo próprio fornecedor, sem metodologia aberta, e não uma medição independente.
Um projeto independente tem um nome por trás
Esse é o risco real de adotar Motion, e ele não aparece em nenhuma comparação técnica: o projeto depende de uma pessoa. A retrospectiva de um ano de independência, publicada em 17 de novembro de 2025, é transparente sobre isso, e vale ler antes de padronizar a biblioteca em uma empresa.
Os números do texto contam a história de sustentabilidade. Patrocínio individual chegou a cerca de oito patrocinadores, algo perto de 100 euros por mês, valor que não sustenta ninguém. Os tiers corporativos, de 249, 999 e 2.499 euros, e principalmente o Motion+, lançado a 299 euros, é que viraram receita real. O autor descreve manter uma média de 35 horas por semana no projeto.
O contexto histórico ajuda a calibrar a leitura em vez de assustar. Projetos anteriores do mesmo autor tiveram teto baixo: o Popmotion chegou a cerca de 300 libras por mês e o Motion One a cerca de mil euros por mês, e foi por isso que ele aceitou o emprego integral na Framer seis anos antes. Dessa vez a receita fecha, e o produto pago é o que torna o núcleo gratuito viável. Quem adota Motion está apostando que esse arranjo continua funcionando.
Motion, GSAP ou Anime.js: onde cada uma ganha
A escolha entre as três é menos sobre capacidade de animar e mais sobre onde a animação vive no seu código: dentro do componente React ou fora dele, no DOM.
| Critério | Motion | GSAP | Anime.js |
|---|---|---|---|
| Modelo mental | Estado do componente | Timeline imperativa | Timeline imperativa |
| Animação de layout automática | Nativa | Por plugin | Por createLayout na v4.3 |
| Transição de saída | AnimatePresence | Manual | Manual |
| Licença do núcleo | MIT | Proprietária, uso gratuito | MIT |
| Produto pago associado | Motion+, opcional | Não há | Não há |
| Fora do React | JavaScript e Vue | Qualquer contexto | Qualquer contexto |
Fontes: documentação oficial de cada projeto e arquivos de licença nos repositórios, leitura de 28/08/2026.
A linha que decide na prática é a primeira. Se a sua animação é consequência de uma mudança de estado, o Motion escreve isso em menos código do que qualquer alternativa imperativa. Se a animação é uma coreografia com tempo próprio, independente de estado, uma timeline imperativa é o modelo certo e as outras duas ganham.
Quando o Motion não é a escolha certa
Três cenários pedem outra coisa.
Site sem React, Vue ou build moderno. O Motion pressupõe módulos e um passo de empacotamento; em página servida direto, com script no HTML, uma biblioteca sem esse pressuposto é menos atrito.
Narrativa longa guiada por rolagem, com dezenas de elementos sincronizados em uma sequência única. Esse é o território onde as ferramentas de timeline maduras têm mais material de referência e mais casos resolvidos.
Projeto em que 34 kb é inviável e a equipe não vai adotar a disciplina de LazyMotion. Contar com a otimização que ninguém vai implementar é pior que escolher uma biblioteca menor desde o início.
Como decidir
- A animação nasce de mudança de estado do componente? Se sim, Motion é o caminho mais curto.
- Você precisa de transição de saída ou de animação de layout? Esses dois recursos vêm prontos e são caros de reimplementar.
- Sua equipe reimplementa divisor de texto, carrossel ou contador com frequência? Aí o Motion+ vira conta de horas, não de licença.
- O bundle inicial é métrica acompanhada no projeto? Se sim, decida entre motion e m com LazyMotion antes de escrever a primeira animação.
O erro mais comum não é escolher a biblioteca errada: é adotar o componente motion completo em toda a interface e descobrir o custo de bundle depois que já tem duzentos usos espalhados. A decisão entre as duas formas de importar precisa ser tomada no início.
Precisa estruturar o front-end do seu produto?
Solicite um orçamento e avance com arquitetura, escopo e entrega definidos.
Fontes e método
A apuração deste artigo foi feita em 28 de agosto de 2026, em fonte primária. Versões, datas de publicação e licenças vêm do registro npm e do repositório motiondivision/motion. Preço, escopo do Motion+ e tamanhos de bundle vêm de motion.dev, motion.dev/plus e da documentação oficial de redução de bundle. O relato da separação e os números de sustentação do projeto vêm de dois textos assinados por Matt Perry no Motion Magazine, de 12 de novembro de 2024 e 17 de novembro de 2025. Downloads referem-se à semana de 18 a 24 de agosto de 2026.
Nenhum teste de performance foi executado pela X-Apps para este artigo. O Motion, o GSAP e o Anime.js são projetos externos, sem relação comercial com a X-Apps.
Perguntas frequentes
Sim. A biblioteca ficou independente da Framer em novembro de 2024 e passou a se chamar Motion, com site próprio em motion.dev e pacote npm chamado motion.
Sim, e continua sendo publicado em paralelo. Em 20 de agosto de 2026, framer-motion e motion foram publicados no mesmo dia, na mesma versão 13.1.1.
O núcleo é gratuito e está sob licença MIT, incluindo uso comercial. O Motion+ é um produto pago separado, com exemplos, componentes prontos e ferramentas.
A licença pessoal é um pagamento único de 299 libras, com acesso vitalício às atualizações, segundo a página oficial em agosto de 2026. A licença business é uma assinatura anual por assento, sem preço publicado na página.
Não. A Framer apoiou a separação e virou a primeira patrocinadora do projeto, mas o Motion é mantido de forma independente por Matt Perry.
Sim. Além do React, a documentação oficial cobre JavaScript puro e Vue, usando o mesmo motor de animação.